Em Mato Grosso do Sul, lideranças Guarani Kaiowá relatam mortes, um incêndio criminoso e uma ameaça de envenenar a água de uma aldeia. Se os crimes tiveram motivação eleitoral é o que as investigações ainda precisam dizer.
Notícia: relato de fatos apurados, com fontes indicadas.
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- Redação Lucidez
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Foto: Percurso da Cultura / Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0
Resumo: desde o fim de semana do segundo turno, organizações indígenas denunciam uma série de ataques contra comunidades Guarani Kaiowá no sul de Mato Grosso do Sul. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) diz que ao menos cinco assassinatos de indígenas na região desde sábado (24/10) estão sob investigação. O Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal na quinta-feira (29/10).
O que foi denunciado
- Naviraí, noite de domingo (25/10): segundo denúncia reunida pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e pela Aty Guasu, uma família indígena inteira foi assassinada. O número de vítimas e os nomes não foram divulgados nas fontes consultadas.
- Coronel Sapucaia, domingo (25/10): indígenas foram atropelados e um homem morreu. A denúncia descreve o atropelamento como intencional.
- Tacuru, quarta-feira (28/10): um servidor da prefeitura foi afastado depois de circular um áudio atribuído a ele que sugere pôr veneno na água da aldeia Sassoró e diz que os indígenas deveriam ser mortos por terem votado em Lula. A comunidade depende de caminhões-pipa e, segundo a Apib, muita gente parou de beber a água.
- Aldeia Jaguapiré, Tacuru, quinta-feira (29/10), por volta das 6h: a casa da Ñandesy (rezadora) Roberta, de 90 anos, foi incendiada. Instrumentos sagrados foram queimados. Segundo os relatos, ela vinha sendo chamada de “feiticeira”.
O que as autoridades fizeram
O Ministério dos Povos Indígenas pediu à PF que apure os fatos “com celeridade e rigor” e formou uma força-tarefa com os ministérios dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial. A Funai chamou os relatos de “extremamente preocupantes”. O Ministério Público Federal investiga a ameaça de envenenamento e deu 24 horas à Prefeitura de Tacuru para dizer se o áudio é autêntico e que medidas tomou.
Antes do segundo turno
A Agência Pública registrou outros casos durante a campanha. Na Terra Indígena Votouro (RS), em 13/10, o frentista Álvaro Ferreira foi morto depois de uma briga na casa do cacique Kaingang Darci Borges, apoiador de Flávio Bolsonaro; uma testemunha diz ter visto o cacique atirar. Horas depois, duas pessoas morreram durante uma ação do Batalhão de Choque. A Brigada Militar afirma que foi recebida a tiros e atribui o caso a uma disputa interna pela liderança. A PF investiga.
Na Terra Indígena Yanomami (RR), jovens relataram ligações de garimpeiros dizendo que voltariam ao território se Flávio vencesse. Na TI São Jerônimo (PR), uma unidade da Funai foi atacada com explosivos em 8/10. Segundo a Pública, a presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré, afirmou que as ameaças têm relação direta com a campanha.
O que está confirmado e o que não está
Confirmados: as denúncias formais, o acionamento da PF e do MPF e o afastamento do servidor de Tacuru. Ainda não confirmados: os autores, o número de vítimas em Naviraí e se as mortes tiveram motivação eleitoral. O coordenador do Cimi em MS, Matias Benno Rempel, lembra que a violência contra os Guarani Kaiowá é anterior à eleição e a descreve como “um componente permanente de milícias do campo”.
Fontes e referências
Priorizamos documentos primários. Fontes jornalísticas aparecem para contexto e comparação.
- [1]Indígenas de MS denunciam casos de violência e ameaças após eleiçãoAgência BrasilJornalística29 de out. de 2026acessado em 30 de out. de 2026
- [2]Polícia Federal investiga onda de violência contra indígenas no Mato Grosso do Sul após as eleiçõesBrasil de FatoJornalística29 de out. de 2026acessado em 30 de out. de 2026
- [3]Ameaças, perseguição e mortes: indígenas denunciam aumento da violência políticaAgência PúblicaJornalística24 de out. de 2026acessado em 30 de out. de 2026
- [4]O cerco a indígenas pós-eleição. E os desafios para Lula 4Nexo JornalJornalística28 de out. de 2026acessado em 30 de out. de 2026
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